Como é, pois, que vivem os perversos, envelhecem e ainda se tornam mais poderosos?         – Jó 21:7

Aqui começa o terceiro e ultimo ciclo de discursos de Jó e seus amigos, sendo que Zofar não participa dele. Jó busca consolação no privilégio de ser ouvido (v.1-2). “Permitam-me falar, e depois podereis zombar” (v.3). “Não tenho motivo para me impacientar?” (v.4). Então Jó começa a fazer uma analise da realidade dos ímpios, e “só de pensar nisso fica perturbado” (v.6), pois seu raciocínio é forte de mais, contrariando as afirmações de seus amigos:

  • os perversos curtem sua velhice e se tornam mais poderosos (v.7);
  • contempla o crescimento de seus filhos e de sua descendência (v.8);
  • suas casas têm paz (v.9);
  • seus toros e novilhas têm cria e não abortam (v.10);
  • seus filhos correm e saltam de alegria (v.11);
  • passam seus dias em prosperidade e em paz descem à sepultura (v.13);
  • nunca se interessaram por Deus, não desejaram conhecer os Seus caminhos (v.14);
  • Que é o Todo-Poderoso para que o sirvamos? (v.15);
  • quantas vezes lhes sobrevém a destruição? (v.17);
  • Deus deveria fazer com que eles pagassem por seus crimes ainda em vida (v.19-20);
  • depois de morto, qual o interesse deles por sua casa, ou seus filhos? (v.21);

Jó desejaria que seus amigos estivessem certos em sua insistência de que o ímpio recebe a recompensa nesta vida, mas a experiência lhe ensinou que eles não estão corretos em seu ponto de vista. Jó defende a ideia de que não só os filhos dos ímpios sejam punidos, mas o próprio ímpio e ainda em vida. Tanto o ímpio, que morre em pleno vigor, como o justo, que morre na amargura do seu coração, sem ter provado o bem, jazem no pó, onde os vermes os cobrem (v.23-26). Não há uma norma confiável pela qual explicar o sofrimento ou a ausência dele na vida de alguém.

Jó defende que a filosofia de seus amigos está errada, sobre a retribuição divina nesta vida. Ela não é comprovada pelos fatos da experiência humana. Não há consolo no que “vocês dizem, porque não falam a verdade” (v.34). As declarações de Jó são mais profundas, mostrando que não existe uma lógica, ou uma regra, sobre o “aqui se faz, aqui se paga”.A prosperidade do ímpio