Então, na sua angústia, clamaram ao Senhor, e ele os livrou das suas tribulações.              – (Salmo 107:19)

O Salmo 107 inicia o Livro Cinco do livro dos Salmos. Em questão de beleza poética este poema se classifica entre as mais sublimes produções da literatura. Sua construção é singular e foi composto para ser cantado alternadamente. Primeiro vem uma calamidade, então um clamor por auxílio seguido de resposta imediata. Segue-se então um chamado ao agradecimento complementado pelo morivo do chamado.

1- Por que louvar a Deus?

  • Louvai ao SENHOR, porque ele é bom, porque a sua benignidade dura para sempre.
    Digam-no os remidos do Senhor, os que remiu da mão do inimigo, e os que congregou das terras do oriente e do ocidente, do norte e do sul (v.1-3).

2 – Deus cuida dos peregrinos no deserto:

  • Andaram desgarrados pelo deserto, por caminhos solitários; não acharam cidade para habitarem. Famintos e sedentos, a sua alma neles desfalecia. E clamaram ao Senhor na sua angústia, e os livrou das suas dificuldades. E os levou por caminho direito, para irem a uma cidade de habitação (v.4-7);
  • Louvem ao Senhor pela sua bondade, e pelas suas maravilhas para com os filhos dos homens. Pois fartou a alma sedenta, e encheu de bens a alma faminta (v.8-9).

3 – Deus libertando os prisioneiros:

  • Tal como a que se assenta nas trevas e sombra da morte, presa em aflição e em ferro;
    Porquanto se rebelaram contra as palavras de Deus, e desprezaram o conselho do Altíssimo. Portanto, lhes abateu o coração com trabalho; tropeçaram, e não houve quem os ajudasse. Então clamaram ao Senhor na sua angústia, e os livrou das suas dificuldades. Tirou-os das trevas e sombra da morte; e quebrou as suas prisões (v.10-14);
  • Louvem ao Senhor pela sua bondade, e pelas suas maravilhas para com os filhos dos homens. Pois quebrou as portas de bronze, e despedaçou os ferrolhos de ferro (v.15-16).

4- Deus é o grande médico:

  • Os loucos, por causa da sua transgressão, e por causa das suas iniquidades, são aflitos.
    A sua alma aborreceu toda a comida, e chegaram até às portas da morte. Então clamaram ao Senhor na sua angústia, e ele os livrou das suas dificuldades. Enviou a sua palavra, e os sarou; e os livrou da sua destruição (v.17-20);
  • Louvem ao Senhor pela sua bondade, e pelas suas maravilhas para com os filhos dos homens. E ofereçam os sacrifícios de louvor, e relatem as suas obras com regozijo (v.21-22).

5 – Deus é o soberano do mar:

  • Os que descem ao mar em navios, mercando nas grandes águas. Esses vêem as obras do Senhor, e as suas maravilhas no profundo. Pois ele manda, e se levanta o vento tempestuoso que eleva as suas ondas. Sobem aos céus; descem aos abismos, e a sua alma se derrete em angústias. Andam e cambaleiam como ébrios, e perderam todo o tino. Então clamam ao Senhor na sua angústia; e ele os livra das suas dificuldades.
    Faz cessar a tormenta, e acalmam-se as suas ondas. Então se alegram, porque se aquietaram; assim os leva ao seu porto desejado (v.23-30);
  • Louvem ao Senhor pela sua bondade, e pelas suas maravilhas para com os filhos dos homens. Exaltem-no na congregação do povo, e glorifiquem-no na assembléia dos anciãos (v.31-32).

6- Bênção aos justos e maldição aos perversos:

  • Ele converte os rios em um deserto, e as fontes em terra sedenta; a terra frutífera em estéril, pela maldade dos que nela habitam. Converte o deserto em lagoa, e a terra seca em fontes. E faz habitar ali os famintos, para que edifiquem cidade para habitação; e semeiam os campos e plantam vinhas, que produzem fruto abundante. Também os abençoa, de modo que se multiplicam muito; e o seu gado não diminui (v.33-38);
  • Depois se diminuem e se abatem, pela opressão, e aflição e tristeza. Derrama o desprezo sobre os príncipes, e os faz andar desgarrados pelo deserto, onde não há caminho. Porém livra ao necessitado da opressão, em um lugar alto, e multiplica as famílias como rebanhos (v.39-41);
  • Os retos o verão, e se alegrarão, e toda a iniquidade tapará a boca. Quem é sábio observará estas coisas, e eles compreenderão as benignidades do Senhor (v.42-43).

O insensato geralmente vê somente as circunstâncias imediatas e “diz no seu coração: Não há Deus” (Salmo 14:1). No entanto, quem é sábio e observa o relacionamento de Deus com os justos e os ímpios, como retratado neste salmo, vê nesses relacionamentos a revelação do amor de Deus. Quem busca a sabedoria em primeiro lugar, está consciente da fraqueza e da miséria humana e, então começa a entender um pouco do grande amor e da bondade de Deus.