Aproveite o que você tem em vez de desejar o que não tem. Querer cada vez mais não faz sentido; é como correr atrás do vento. – Eclesiastes 6:9

Em Eclesiastes 6, o sábio Salomão discorre sobre a vaidade dos bens sem proveito, a vaidade de ter filhos, e da vida longa sem alegrias. Também fala sobre a vaidade dos olhares e desejos errantes, e termina falando sobre as coisas da vida pelas quais vale a pena viver.

  • Há um mal que tenho visto debaixo do sol, e é mui freqüente entre os homens, é uma tragédia em suas vidas: Um homem a quem Deus deu riquezas, bens e honra, e nada lhe falta de tudo quanto a sua alma deseja, e Deus não lhe dá poder para daí comer, não desfrutam do que receberam; eles morrem e outro acaba usufruindo de todas essas coisas; também isto é vaidade e má enfermidade, uma verdadeira desgraça (v.1-2);
  • Se o homem gerar cem filhos (ter muitos filhos era a esperança de todo judeu, pois eram considerados como uma rica bênção do Senhor), e viver muitos anos, e os dias dos seus anos forem muitos, e se a sua alma não se fartar do bem, se não encontrar satisfação na vida e além disso não tiver sepultura (os hebreus davam grande importância ao sepultamento com honra), nem mesmo um enterro digno, digo que se ele tivesse sido abortado seria melhor para ele. Porquanto debalde veio, e em trevas se vai, e de trevas se cobre o seu nome. E ainda que nunca viu o sol, nem conheceu nada, mais descanso tem este do que aquele (v.5-7);
  • E, ainda que vivesse duas vezes mil anos e não gozasse o bem, não vão todos para um mesmo lugar? Ele vai morrer como todos os outros. De que adianta tudo isso? Sem saúde e felicidade, estender os anos é pouco vantajoso (v.6);
  • Todo o trabalho do homem é para a sua boca, e contudo nunca se satisfaz o seu apetite. Será que o sábio tem mais vantagem do que o tolo? E que mais tem o pobre que sabe andar perante os vivos? Melhor é a vista dos olhos do que o vaguear da cobiça, aproveite o que você tem, em vez de desejar o que não tem; também isto é vaidade e aflição de espírito, é como correr atrás do vento (v.7-9);
  • Seja qualquer o que for, já o seu nome foi nomeado, e sabe-se que é homem, e que não pode contender com o que é mais forte do que ele. Tudo já foi decidido; sabia-se há muito tempo o que cada pessoa seria. Portanto, não adianta discutir com Deus sobre o nosso destino (v.10);
  • Na verdade que há muitas coisas que multiplicam a vaidade; que mais tem o homem de melhor? Quanto mais palavras são ditas, mais vazias elas são. Então, que diferença fazem? Pois, quem sabe o que é bom nesta vida para o homem, por todos os dias da sua vida de vaidade, os quais gasta como sombra? Quem declarará ao homem o que será depois dele debaixo do sol? Quem sabe o que acontecerá debaixo do sol depois que tivermos partido? (v.11-12).

Como o ser humano não pode descobrir por si mesmo o bem fundamental da vida, ele deve reconhecer a futilidade de reclamar e discutir com Deus. Ele é comparado a uma sombra passageira, presente por um breve momento e depois se vai. Sua vida é apenas um momento entre duas eternidades. As coisas terrenas são transitórias; as coisas invisíveis são eternas e estão nas mãos de Deus.