Assim os céus, a terra e todo o seu exército foram acabados. E havendo Deus acabado no dia sétimo a obra que fizera, descansou no sétimo dia de toda a sua obra, que tinha feito. A palavra exercito denota todas as coisas criadas.                 – Gênesis 2:1-2

Interessante o fato de Deus, após terminar de fazer a terra e todos o seu exército, descansou no sétimo dia, ou seja, o sábado. Será que Deus se cansa (Isaías 40:28)? Ou Ele fez isso para servir de exemplo para nós, que devemos tirar um dia para descansar de nossas atividades diárias e dedica-lo totalmente ao Senhor? E abençoou Deus o dia sétimo, e o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra que Deus criara e fizera (v.3). E para mostrar a importância desse dia, Deus o abençoou, santificou (separou para propósitos santos) e descansou (cessou todas as atividades ou trabalho) de toda a sua obra criadora. Seguindo a cronologia da criação, sabemos que esse dia não é um dia qualquer, mas é o sétimo dia da semana, ou seja, o sábado (Êxodo 20:11). Podemos notar que o sábado semanal do sétimo dia tem sido considerado uma instituição para a dispensação judaica, mas o relato inspirado declara que ele foi instituído mais de dois milênios antes do nascimento do primeiro israelita (um descendente de Jacó, ou Israel).

Estas são as origens (ou gênese) dos céus e da terra, quando foram criados; no dia em que o Senhor Deus fez a terra e os céus, e toda a planta do campo que ainda não estava na terra, e toda a erva do campo que ainda não brotava; porque ainda o Senhor Deus não tinha feito chover sobre a terra, e não havia homem para lavrar a terra. Um vapor, porém, subia da terra, e regava toda a face da terra (v.4-6). Enquanto Deus criava o planeta Terra, não havia o homem ainda para nele morar, e também não chovia nesse tempo, e as plantas eram regadas através de um vapor (neblina ou orvalho), que subia da terra e a regava. Alias, as chuvas ainda não eram conhecidas, mesmo no tempo de Noé, começando a cair no dilúvio. Deus cuidando de sua criação, e pensando em todos os detalhes para a felicidade do homem. E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente (ou ser vivente) (v.7). Quando descobrimos que a argila é um ótimo remédio proporcionado pela natureza, para a cura de muitas de nossas doenças, fica mais fácil de entender que fomos feitos a partir do barro. Deus formou (ou moldou) o homem do pó da terra. E depois de o boneco estar pronto, soprou em suas narinas o fôlego de vida. O boneco de barro, mais o fôlego de vida soprado por Deus, fez a primeira alma vivente. Não existe alma separada desses dois itens. É uma somatória de boneco de barro + folego de vida. Os elementos principais que compõem o corpo humano são oxigênio, carbono, hidrogênio e nitrogênio. Muitos outros existem em proporções menores. Quão verdadeiro é o fato de que o homem foi feito “do pó da terra”e também que ele voltará à terra, de que foi formado (Ecl.12:7).

E plantou o Senhor Deus um jardim no Éden, do lado oriental; e pôs ali o homem que tinha formado (v.8). Deus cria o homem e faz um local para ele morar, tudo planejado com muito amor. Um jardim especial, com toda a sua criação, e o homem para administrá-lo. E o Senhor Deus fez brotar da terra toda a árvore agradável à vista, e boa para comida; e a árvore da vida no meio do jardim, e a árvore do conhecimento do bem e do mal (v.9). Que sequencia bem planejada por Deus: o planeta Terra, a criação passo a passo, o homem, sua morada, e também um cardápio super saudável. A árvore da vida para que o homem pudesse viver eternamente ao lado de Deus, mas também uma árvore para a prova do homem – a árvore do conhecimento do bem e do mal.

E saía um rio do Éden para regar o jardim; e dali se dividia e se tornava em quatro braços. 1 O nome do primeiro é Pisom; este é o que rodeia toda a terra de Havilá, onde há ouro. E o ouro dessa terra é bom; ali há o bdélio, e a pedra sardônica. E o nome do segundo rio é Giom; este é o que rodeia toda a terra de Cuxe. E o nome do terceiro rio é Tigre; este é o que vai para o lado oriental da Assíria; e o quarto rio é o Eufrates (v.10-14). Quatro rios para cercar essa terra tão linda e formosa. Desses 4 rios, apenas o Tigre e o Eufrates são conhecidos do homem. Isso foi feito para que os pesquisadores e curiosos não tentassem descobrir onde ficava esse local especial que Deus preparou para o homem.A localização do Éden é desconhecida. O dilúvio alterou de tal forma as características físicas da Terra, que se tornou impossível a identificação atual de locais existentes antes dessa catástrofe.

E tomou o Senhor Deus o homem, e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar (v.15). Para aqueles que querem saber quem inventou o trabalho, este texto tem a resposta, pois apesar de morar no paraíso terrestre, o homem teria que trabalhar, tanto para a saúde de seu corpo, como também para a sua saúde intelectual. E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás (v.16-17). Aqui estava o grande de teste de obediência e lealdade. Poderia comer de todas as árvores do jardim, e a vontade, mas não poderia comer da árvore do conhecimento do bem e do mal, pois, certamente morreria se dela provasse. A própria presença dessa árvore no jardim revelava que o homem era um agente moral livre. O serviço do homem não era forçado; ele podia obedecer ou desobedecer. A decisão era dele. Outro detalhe importante, é o que ele não morreria de imediato, mas ao comer, perderia a imortalidade planejada para o ser humano, e passaria a ser um simples mortal.

E disse o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora idônea para ele. Havendo, pois, o Senhor Deus formado da terra todo o animal do campo, e toda a ave dos céus, os trouxe a Adão, para este ver como lhes chamaria; e tudo o que Adão chamou a toda a alma vivente, isso foi o seu nome. E Adão pôs os nomes a todo o gado, e às aves dos céus, e a todo o animal do campo; mas para o homem não se achava ajudadora idônea (v.18-20). Outra estrategia de Deus. Trouxe todos os animais e aves para que Adão colocasse os respectivos nomes neles. E ao perceber que todos os animais tinham uma companheira, logo se sentiu sozinho, necessitando de alguém ao seu lado. Tudo era perfeito, mas Deus deixou, de propósito que o homem sentisse falta de algo mais.

Então o Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre Adão, e este adormeceu; e tomou uma das suas costelas, e cerrou a carne em seu lugar; e da costela que o Senhor Deus tomou do homem, formou uma mulher, e trouxe-a a Adão (v.21-22). Deus fez Eva a partir de uma das costelas de Adão, para mostrar que ela deveria ser a sua companheira. Não a partir da cabeça para que não se achasse superior, nem dos pés, para que Adão não a fizesse uma escrava, mas do lado, para que realmente um completasse o outro e fossem companheiros. E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; esta será chamada mulher, porquanto do homem foi tomada (v.23). Adão entendeu o recado de Deus, e logo viu alguém que era osso de seus ossos, e carne de sua carne.

Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne (v.24). As palavras deste verso não podem ser consideradas como um anúncio profético feito por Adão, mas sim como as palavras do próprio Deus. Elas são parte da declaração feita  por Deus na cerimônia de casamento (Mateus 9:4). Este recado não foi só para Adão e Eva, mas para todos os casais, que devem se unir por matrimonio, e devem viver a própria vida, em um novo local, e não na própria casa dos pais de um ou de outro. Devem começar a vida a dois  sozinhos. Estas palavras expressam a mais profunda unidade física e espiritual de um homem e uma mulher, e exaltam a monogamia diante do mundo como a forma de casamento ordenada por Deus. E ambos estavam nus, o homem e a sua mulher; e não se envergonhavam (v.25). Deus fez tudo perfeito, e Adão e Eva não se envergonhavam de estarem nus um diante do outro, e assim se amaram, conforme o propósito e Deus, para eles e para todos os casais que viriam depois deles.

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