Deslumbrante Deus

Certa vez, ouvi a história de um homem que, a beira da morte, aconselhou um amigo a não perder o deslumbramento pelas coisas da vida. Achei esse conselho inusitado. Não entendi direito o que significava, mas guardei na memória.

Tempos depois, eu me tornei mãe. Na primeira filhos, eu não soube muito aproveitar a maternidade. Ficava tão preocupada com tudo, com marcos de desenvolvimento, com métodos de fazer dormir, fraldas e alimentação adequada que simplesmente não curti a simplicidade de cada conquista, de cada dia.

Então veio o segundo filho. Agora eu já sabia que tudo ia dar certo, que o bebê ia engatinhar no tempo certo (o dele), ia andar na hora certa (a dele), ia aprender a comer, dormir Então eu relaxei e pude observar uma das coisas mais lindas que uma criança pode ensinar: o deslumbramento. Imagine para um serzinho tão pequeno como tudo é absolutamente deslumbrante. Uma formiga andando perto do pé faz ele frear a caminhada e se agachar e observar. Um passarinho que surge de uma árvore faz seus olhos brilhar. A água escorrendo entre os dedos – que substância maravilhosa! E ainda dá para beber e jogar para cima e molhar o corpo todo. Aliás, o corpo também é fascinante. Os olhos (ele sempre tenta pegar os meus), os cabelos (que legal puxar os cabelos da mamãe!), o umbigo (uau, um buraco no meio da barriga!) e os dedos – que coisa fantástica são os dedos! Como podem se mover assim, de forma tão ágil? E o fogo? Gente, o fogo brilha, é colorido, dança ao vento. Opa, parem tudo? Que barulho é esse no céu? Um helicóptero! Todo mundo precisa ver isso, é legal demais! E o bebê corre para a janela, implorando com grunhidos para ser erguido a fim de ver esse “bicho” tão fantástico e curioso.

Ainda falta a coisa mais deslumbrante de todas para o meu bebê: a lua! Ele não fala da lua, ele não mostra a lua, ele grita sem parar porque é tão importante que todos vejam a coisa mais maravilhosa do mundo: “Olha! Ah lá, a lula!” Fica absolutamente deslumbrado! E por algo que a gente vê todas as noites (e dias também) e não dá importância.

É possível aprende tanto com as crianças. Eles nos obrigam a parar e olhar as coisas pequenas (será?) da vida e redescobrir coo são deslumbrantes. A criação de Deus é algo tão imenso, extraordinário, impressionante, mas nós nos acostumamos com ela e a vemos como comum, ordinária. Só que Deus criou um mundo fantástico para provocar em nós esse deslumbramento. Isso revira a alma, traz felicidade, nos tira da mesmice, da rotina sem sentido. Precisamos parar e ver esse presente maravilhoso. Era isso que o homem da história queria dizer em seu leito de morte. O conselho era para não deixarmos de nos surpreender com os presentes de Deus, porque Deus é surpreendente, é fascinante, é deslumbrante.

A Bíblia nos convida a ser como crianças. “A menos que vocês se convertam e se tornem como crianças, jamais entrarão no reino dos céus” (Mt 18:3). Além da simplicidade da humildade, da dependência, eu acrescento às características das crianças a capacidade de deslumbramento. E tenho pedido a Deus para reviver isso em mim. Ele pode fazer renascer. Quero me espantar com os milagres da Bíblia, quero sentir horror e amor pelo Calvário, quero que o amor de Cristo verdadeiramente me constranja.

Que sejamos essa criança boba vendo o que Deus fez e faz por nós, sem vergonha de parar para observar ou de gritar para todo mundo saber que o nosso Deus é deslumbrante.

Danivia Mattozo Woldd, Revista Vida & Saúde, Jul/2022, p.50

Seu Alipio

Eu sou o seu Alipio de Almeida, nasci em 1951, estou casado desde 1974. Sou pai de 3 filhos queridos, e bem casados e já tenho 6 netos, que amo muito. Administrador de empresas e analista de sistemas, aposentado. Proprietário orgulhoso de um Logan 1.6 2009. Aguardando ansiosamente pela volta de Jesus.

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