Somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus. 2 Coríntios 5:20

Quando eu era um pré-adolescente, nunca tinha ouvido falar do Clube de Desbravadores. Embora ele existisse no Brasil, ainda não havia sido estabelecido na região em que eu morava. Entretanto, fui convidado a fazer parte da agremiação similar chamada os “Embaixadores do Rei”, na igreja batista de minha cidade. Por alguma razão, da qual não me lembro, a experiência não durou muito tempo, mas foi suficiente para que, ainda hoje, eu me lembre da empolgação com que recitávamos o que parecia ser o lema do clube: “O amor de Cristo nos constrange; somos embaixadores em nome de Cristo!” (2Co 5:14, 20). Parecíamos sentir um “cheiro de autoridade” em nossa vibrante expressão.

De fato, um embaixador é uma autoridade. Ele representa um governo em uma terra estrangeira. Nessa condição, a atitude básica e mais elementar que se espera dele é lealdade irrestrita a seu país. É um construtor de pontes entre sua nação e aquela a qual é enviado, tendo a missão de tornar os anfitriões simpáticos aos interesses da pátria que o enviou. Não é livre para estabelecer a própria agenda nem para disseminar ideias pessoais: é representante de outro governo, fala em nome deste.

É assim que somos “embaixadores de Cristo”. A palavra utilizada pelo apóstolo para “embaixadores” designava, “o legado de um imperador, o que empresta prestígio ao emprego dessa palavra aqui, como designação dos mensageiros especiais de Cristo” (Russell Champlin, O Novo Testamento Interpretado, v. 4, p. 349). Falamos em nome do Rei do Universo, a quem devemos lealdade irrestrita. Não temos um recado pessoal a transmitir, mas uma mensagem divina, cuja nobreza demanda conduta igual de nossa parte. Essa é uma mensagem de reconciliação do ser humano com Deus. A salvação ou morte eterna depende da aceitação ou rejeição da proposta divina. A missão é solene.

Porque “o amor de Cristo nos constrange”, não podemos pensar em retroceder. A mensagem deve ser dada com autoridade e coragem temperadas com amor, paciência e equilíbrio próprios da conduta de embaixadores. Somos servos, representantes do Céu. Defendemos interesses infinitamente mais importantes que as mais graves questões governamentais terrestres. Que a graça divina nos habilite a viver à altura desse privilégio.

Zinaldo A. Santos, De Coração a Coração, MM 2020, CPB

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