Ontem tive a oportunidade de assistir ao filme Preciosa – Uma História de Esperança, EUA, 2009, de Lee Daniels. O filme conta a história de uma jovem, Clarice Preciosa Jones (Gabourey Sidibe), uma adolescente de 16 anos, obesa e negra. Ela vive com a sua mãe, Mary (Mo’Nique), que passa o dia inteiro em casa assistindo TV e a tratando como uma serviçal. A relação entre as duas é bastante confusa e violenta. A mãe a agride física e psicologicamente, afirmando que Clarice é burra e que nunca será melhor do que ela em nada.

Toda vez que Clarice encontra-se em um momento difícil, foge para um mundo imaginário onde é famosa e desejada por todos. Um lugar onde a sua presença realmente importa. Tudo isso acompanhado de uma trilha sonora “glamourosa”, remetendo á fama e ao sucesso, que também está presente nas tomadas que mostram o que realmente está acontecendo nessas situações, enfatizando a confusão da sua percepção da realidade.

A importância de uma educação mais humana e menos genérica, para a formação e evolução pessoal, é retratada pela escola “Cada Um Ensina Um”, a qual Clarice é transferida após ser expulsa da anterior, por estar grávida de seu segundo filho (tanto o primeiro como o segundo são filhos gerados pelo próprio pai dela, que já abusava dela desde os 3 anos de idade). Lá, pela primeira vez em sua vida, sente-se como uma pessoa, graças à dedicação e atenção da professora Mrs. Rain (Paula Patton), que procura para não só estimulá-los á escrever em seus diários, mas também para refletirem sobre suas próprias vidas.

Preciosa, apesar de ser um filme sobre superação, não cai na mesmice de apresentar os fatos sempre de maneira açucarada, passando a impressão de que ultrapassar certas barreiras é fácil, rápido e que geralmente terminam bem. Além disso, deixa claro que, não fazer nada é escolher um dos lados.