A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo. Tiago 1:27

revista Life de 23 de julho de 1951 publicou um artigo escrito por Michael Rougier intitulado “O Garotinho Que Não Sorria”. Trata-se da tocante história de Kang Koo Ri, um menino de cinco anos que morava com os pais e o irmão mais velho em uma casinha que ficava cerca de 25 quilômetros ao norte de Seul. Durante a Guerra da Coreia, a vila na qual viviam foi destruída, e um pelotão chegou para resgatar os civis que ainda estavam vivos. Na casa de Kang, eles chamaram para ver se havia sobreviventes, mas não receberam resposta. Ao procurar com mais cuidado, um dos soldados viu o garotinho acocorado contra a parede em um cantinho distante, com os olhos arregalados. No outro canto, identificou o corpo de uma mulher deitado em um colchão de palha, com vermes e moscas. Ficou claro que a mãe de Kang estava morta havia muitos dias. Não havia sinal nem do irmão mais velho, nem do pai da criança.

A narrativa continua: “Enquanto era levado embora, Kang levantou um braço na direção da casa. Lágrimas corriam por suas bochechas, e seu corpo chacoalhava em espasmos. Os soldados norte-americanos acharam que ele estava tentando dizer alguma coisa, mas não saía som nenhum. Ao longo de todo o caminho, chorou sem parar, com lágrimas escorrendo dos olhos, mas sem som algum sair de sua garganta.” Quando o menino chegou ao posto de comando do regimento, o capelão percebeu que ele não passava “de um monte de pequenos ossos, ligados só Deus sabe pelo quê”. No orfanato, não tinha força emocional para se socializar. “Assustado e emudecido, ele dava as costas para as outras crianças e se afastava, com os olhos cheios de lágrimas. Ele ficava ali, com uma mão torcendo o polegar da outra, as pernas ligeiramente encurvadas e os olhos voltados para o chão.” O tempo passava, mas o garoto continuava a pedir que o levassem de volta para seu irmão.

Kang é apenas mais um exemplo dos muitos milhares de órfãos de guerra que sofrem com transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). Por iniciativa da organização francesa SOS Enfants En Détresse [SOS Crianças em Aflição], o dia 6 de janeiro foi escolhido como o Dia Mundial dos Órfãos de Guerra. De acordo com Tiago 1:27, é nosso dever sagrado cuidar das pessoas solitárias que não têm ninguém mais para zelar por elas. Elas necessitam ver em nós um reflexo do amor divino em um mundo a perecer.                                              – Alberto Timm, Um Dia Inesquecível, MM 2018