Quem sabe se não foi para um momento como este que você chegou à posição de rainha? Ester 4:14, NVI

A história com sabor persa e clímax judaico se passou há 2.500 anos e foi registrada em um dos dois livros da Bíblia que têm nomes de mulheres. Não sabemos quem é o autor do livro nem sua motivação. Nos primeiros sete séculos da igreja, ninguém escreveu comentários sobre ele. Porém, os judeus o amam e o recitam na festa do Purim. Nele vemos como um Deus perfeito pode usar pessoas imperfeitas em momentos críticos e descobrimos que o Deus invisível está presente com Seu povo mesmo quando parece ausente.

Tudo começa com uma festa de 180 dias oferecida por Assuero (nome persa) ou Xerxes (nome grego) em 481 ou 483 a.C. aos seus nobres. Transporte, hotel, comida, entretenimento, bandas, mulheres, tudo por conta do erário. No fim do banquete, o rei deu uma festa de sete dias para o povo, quem sabe 50 mil pessoas, nos jardins do palácio. Riquíssimo, herdeiro do império do pai (o lendário rei Dario), na casa dos 35 anos, Xerxes era o homem mais poderoso da Terra. Adorado como deus, falava com a voz do sol, e sua palavra era imutável.

O que Xerxes fazia? Festas, grandes festas. No livro há entre oito e dez banquetes, e a história transcorre entre eles. O rei queria mostrar sua riqueza, impressionar, ser temido, receber honra. E foi no meio de uma festa que ele, inebriado por meses de bebedeira, quis exibir a beleza da rainha. Segundo fontes judaicas antigas, é provável que a bela Vasti tivesse sido ordenada a desfilar nua, usando apenas a coroa real. Ela se recusou; o rei ficou furioso, pois ninguém dizia não para ele; os nobres temeram que o fato caísse nas redes sociais da época e influenciasse suas mulheres; e Vasti perdeu a coroa.

No grande concurso organizado para escolher a nova rainha, depois de um ano de preparo, venceu a estonteante Ester. Com 20 anos no máximo, órfã adotada por um primo que trabalhava no terceiro escalão do palácio, sua escolha poderia parecer o clímax do livro. No entanto, o enredo continua. A intriga de Hamã levou o rei a decretar a morte de todos os judeus do império. E, para tentar salvar seu povo, a nova rainha precisou revelar sua identidade. Até então, ela parecia uma personagem passiva, que pertencia a Deus, mas não assumia isso publicamente. Sua dupla identidade é simbolizada por seus dois nomes: Hadassa (nome hebraico) e Ester (nome persa), derivado de Ishtar, a deusa do amor e que também significa “estrela”.

No fim, a relutante heroína aparece como outra pessoa, disposta a morrer por seu povo. E a silhueta de Deus, que não é mencionado sequer uma vez no livro, surge agindo nos bastidores, mostrando Sua presença pela ausência.

Marcos De Benedicto, 22/5/2016, MM 2021, CPB

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